GEFD
INTRODUÇÃO
O Grupo de Estudos Filosofia do Desenvolvimento (GEFD) é uma iniciativa
da parceria entre o Curso de Filosofia e o Laboratório de Humanidades (LABUH),
ambos da Universidade Católica Dom Bosco. Ele consiste em ampliar as discussões
do Grupo de Pesquisa Laboratório de Humanidades e oferecer a docentes
vinculados à Universidade Católica Dom Bosco e discentes, matriculados nesta
instituição ou não, um espaço de estudo, pesquisa e produção científica na área
interdisciplinar de Filosofia e Desenvolvimento Local. É um grupo intermitente,
vinculado ao LABUH, de encontros semanais, sem vínculo empregatício, cuja
finalidade é a produção científica.
IDENTIFICAÇÃO:
RESPONSÁVEL
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Prof. Dr. Josemar de Campos Maciel
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COLABORADOR
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Prof. Me. Victor Hugo de Oliveira Marques
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PARCERIAS
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Curso de Filosofia
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LABUH
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Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local
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LOCAL
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UCDB e outros locais
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DURAÇÃO
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anual
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VAGAS
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Cinco discentes
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CERTIFICAÇÃO
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Curso de Filosofia
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OBJETIVOS
A.
GERAL
Promover, em parceria com o Laboratório de
Humanidades, um espaço de estudo, pesquisa e produção científica na área
interdisciplinar de Filosofia e Desenvolvimento Local.
B.
ESPECÍFICOS
- Ampliar as discussões já ocorridas no LABUH;
- Fortalecer os laços de parceria entre o Curso de
Filosofia e LABUH;
- Explorar as fronteiras entre a Filosofia e o
Desenvolvimento Local;
- Discutir o conceito e os fundamentos filosóficos do
Desenvolvimento;
- Promover Work Shops com as temáticas do grupo
- Promover a produção e a publicação de artigos
científicos
- Contribuir para a transdiciplinaridade dos
conhecimentos
- Ampliar os estudos sobre Heidegger e o Meio Ambiente
JUSTIFICATIVAS
Não há como tematizar o “Desenvolvimento” de qualquer local sem antes
levantar questões a cerca de sua natureza, bem como à sua possibilidade.
Conforme a literatura especializada, a discussão a respeito do desenvolvimento
necessariamente passa pela discussão da modernidade. Para Weber (1989), um dos
primeiros teóricos a discutir a modernidade, esta emerge de uma combinação de
fatores e circunstâncias que compuseram o desenvolvimento específico da
Civilização Ocidental. A incorporação de princípios racionais à ação social
torna-se um dos traços formativos da conduta moderna.
Nesta perspectiva, na década de 50
do século XX, surgem as chamadas “teorias da modernização”, que apregoavam e
justificavam o desenvolvimento como sinônimo de modernização. Nas teorias da
modernização, a história é concebida como um percurso unidirecional, integral e
evolutivo em cujo fim se encontra a experiência social da modernidade. Em
outras palavras, criou-se chaves interpretativas para o processo de
desenvolvimento à luz do processo de modernização, em que as sociedades podiam
ser comparadas e classificadas como “tradicionais” ou “modernas” (categorias
analíticas modernizantes) desde experiências históricas que reconheciam uma
espécie de escala universal de desenvolvimento.
Rostow (1966), um dos clássicos dessa abordagem teórica, vai elaborar um
dos primeiros modelos de compreensão dessa linha de desenvolvimento universal.
Desde os aspectos econômicos, Rostow (1966) descreve cinco categorias
evolutivas a partir das quais todas as sociedades podem ser enquadradas: sociedade tradicional, precondições para o arranco, arranco, marcha para a maturidade e era do consumo em
massa. Parsons (1969), também representante desse movimento teórico da
modernização, afirma que todas as sociedades definidas como modernas são
caudatárias de uma mesma experiência histórica: a europeia ocidental. Apenas na
Europa, herdeira do Império Romano Ocidental, se verificou, pela primeira vez,
uma combinação de circunstâncias que a possibilitou dar saltos em sua
capacidade adaptativa, tornando-se difusora de aspectos estruturais
posteriormente assimilados pelos quatro cantos do mundo.
Contrapondo-se
às teorias da modernização, aparece a noção de “múltilplas modernidades”,
alegando que a realidade emergente não acompanhou as previsões homogeneizadoras
deste tipo de discurso hegemônico da modernidade. Eisenstadt (2000),
representante desta nova concepção sociológica, assegura que a modernidade é,
de fato, um evento cuja origem está associada à experiência europeia. Não
obstante, à medida que esta experiência é disseminada para as outras regiões do
globo, ela também se modifica e adquire novas configurações. Mediante uma ação
imperialista, tanto do ponto de vista econômico quanto militar, a Europa
desenvolveu um programa político e cultural de modernidade que transpôs suas
fronteiras. Este projeto ficou conhecido como Colonialismo. Porém, segundo
Eisenstadt (2000), tal transposição desenvolveu uma considerável transformação
das premissas europeias. No entanto, tais transformações não podem ser
simplesmente vistas como meras assimilações por parte das regiões colonizadas,
senão que um processo de coadunamento do programa da modernidade aos interesses
nacionais.
Múltiplas
modernidades, portanto, busca revelar que a ideia de uma “modernidade
autêntica” não é um fenômeno exclusivamente ocidental, i. é, modernização e
ocidentalização não podem ser equalizados em um único fenômeno. É cogente
reconhecer que outros modelos de sociabilidades não-ocidentais também devem
constituir a sociedade moderna. Em geral, o uso desse conceito de modernidades
múltiplas envolve uma tomada de posição contra a ocidentalização, a
globalização e o capitalismo neoliberal, apontando para a necessidade de
reconhecer a existência e dar voz a modernidades “alternativas”.
Não
obstante a proposta de pensar a modernidade como múltiplas modernidades
(EISENSTADT, 2000) tivesse um caráter crítico sobre as teorias da modernização
(que equalizavam modernidade, desenvolvimento, colonização), Thomassen (2010)
sustenta que pluralizar a noção de modernidade, a fim de garantir a polifonia
coexistente no mundo globalizado, além de ser insuficiente, torna raso o valor
analítico do conceito. Segundo o autor, pluralizar não faz como que tomemos uma
posição teórica sobre ela, pois dificilmente conseguiremos amenizar os efeitos
da capacidade produtiva e destrutiva da modernidade.
Já
para o sociólogo alemão Schmidt (2007), a pluralização da modernidade não
questiona as teorias da modernidade, uma vez que ela pode perfeitamente abarcar
estas diferenças. Conforme Schmid (2007)t, a noção de modernidades múltiplas,
apesar de enfatizar as diferenças que colocam as sociedades não-ocidentais como
propagadoras de padrões de modernidade, não reconhece as diferenças que
distanciam essas sociedades em relação ao grau de modernidade do Ocidente. O
conceito que Schmidt (2007) propõe como alternativa para melhor acomodar as
particularidades políticas e culturais das sociedades está contida no que ele
chama de “variedades de modernidade”, noção que, segundo ele, dá voz as
dimensões locais, mas reconhecendo sua estreita conformidade com um imaginário
global de modernidade.
A
pluralização do conceito de modernidade tal como foi pensado por Eisenstad
(2000) ou mesmo a variação de modernidade de Schmidt (2007) evidenciam
tentativas de abarcar os modos de expressão da modernidade e seus contornos
atuais, mas não é capaz de transpor o imaginário opressor que ela impõe sobre o
mundo, ou seja, o modelo dicotômico de representação das relações entre o
Ocidente e o resto do mundo.
A
partir dos anos 80, um novo termo é cunhado para substituir o termo “Terceiro
Mundo”[1], qual seja, o “pós-colonial”[2]. Esta mudança se deve ao fato de nos anos 80 há uma
mudança no campo do conhecimento, ou seja, “o que antes [anos 60 e 70] era o
quase absoluto domínio das ciências políticas e sociais agora faz mais parte da
história e mais especificamente da história da cultura, estudos culturais,
midiáticos e literários” (PRYSTHON, 2004, p.3). Em contraste com as
perspectivas de compreensão da modernidade anteriores, as teorias pós-coloniais[3] e decoloniais[4] tencionam apontar para outras experiências que estejam
a margem do mundo moderno ocidental, para experiências subalternas que
confrontam essa narrativa hegemônica e universalista. Deste modo, a destituição
da ideia de Terceiro Mundo para substituí-la por periferia (em linguagem
coloquial) e pós-colonial (em sentido teórico) é uma afirmativa que parte de um
lugar determinado (dos terceiros-mundistas), mas que não se reconhece enquanto
tal.
Entretanto
– e que não poderia ser diferente – a coesão conceitual a respeito do modo como
a modernidade deveria ser questionada também não prevaleceu neste movimento, o
que leva Góes (2015) a chamá-los de “ecletismo teórico”. Segundo o Grupo de
Estudos Subalternos[5] (Subaltern
Studies), formado na década de 90 do século XX, a crítica à modernidade
deveria ter como ponto de partida a equalização entre modernidade e
colonialidade. A partir de uma tentativa de organizar um debate
interdisciplinar acerca da historiografia e das perspectivas subalternas
latino-americanas, o Grupo de Estudos Subalternos se dividiu em duas vertentes:
entre aqueles que consideravam a subalternidade como parte ou continuidade das
abordagens pós-estruturalistas[6] e pós-modernas (Grupo Sul-asiático) e aqueles que
reivindicavam maior radicalidade da crítica antieurocêntrica (Grupo Modernidade/Colonialidade).
Desde o breve resumo acima,
percebe-se que: [1] o tema da modernidade é ainda objeto de discussão, pois
dependendo do modo como ela é concebida, há uma alternativa de refutá-la; [2]
há perspectivas diversas de análises da modernidade: históricas, sociológicas,
econômicas, políticas, culturais, etc.; [3] as críticas à modernidade não
invalidam uma perspectiva de desenvolvimento, pois o problema não é recorrer às
intuições modernas, mas como rediscutir tais intuições mediante outros
paradigmas; [4] esta variedade de perspectivas dos problemas relacionados às
tentativas de delinear a modernidade acaba por onerar uma adequada tematização
do desenvolvimento; [5] deve haver um modo de tematizar a modernidade a fim de
vê-la em sua “essência” ou, no mínimo, em algum traço que seja estruturalmente
relevante para que ela possa ser tomada enquanto tal, e, com efeito, permita
pensar o desenvolvimento.
Esta necessidade/carência de uma
análise mais essencial ou estruturalmente relevante da modernidade que sustente
uma crítica capaz de rediscutir o desenvolvimento, em qualquer local, justifica
a relevância desta pesquisa, uma vez que ela se propõe a recolocar o problema
da modernidade à luz de seus discursos fundamentais, i. é, em uma perspectiva
ontológico-filosófica. Este olhar mais fundamental a respeito da modernidade,
desde uma perspectiva ontológica, tem sua importância por duas razões: [1] o
fato de a as críticas à modernidade partirem de elementos diversos da sociedade
como a cultura, a história, a sociologia, a política, a economia, a literatura,
etc. não permite acessar os discursos que fundamentam todas estas perspectivas,
tal como um discurso ontológico se propõe a fazer; [2] no sentido de que
procura fornecer aos estudos do desenvolvimento não apenas aquilo que realmente
pode ser tomado como mais importante para caracterização da modernidade, mas
também uma nova forma de pensar os discursos que balizam a factibilidade do
desenvolvimento.
METODOLOGIA
O GFD seguirá a metodologia PEP
(Pesquisa, Eventos e Produção). Esta metodologia deverá seguir as seguintes
etapas:
A)
Formalização
do GFD com o LABUH: esta etapa se dará inicialmente e não durará mais que duas
semanas, cuja finalidade será formalizar a pertença do grupo ao LABUH mediante
documentações;
B)
Captação
de acadêmicos: será feita por meio de convite informais do professor
responsável pelo projeto, bem como do professor responsável pelo LABUH. A
intenção é captar de três a cinco acadêmicos por ano, podendo ser renovado;
C)
Período
de Estudo e Pesquisa: etapa de escolha dos textos para o estudo mediante
encontros semanais que durará seis meses.
D)
Promoção
de Eventos: ao final do primeiro semestre o grupo promoverá um evento para
expor para a academia seus resultados;
E)
Produção
científica: será o período de produção de um artigo científico durante o
segundo semestre.
Ao final do ano, haverá uma auto-avaliação para
melhorar os índices de qualidade do grupo.
REFERENCIAL TEÓRICO
O discurso filosófico é, por excelência – ao menos em termos genéticos
–, uma mediação basilar que está em diálogo com qualquer outra construção
teórica. É sabida, desde os gregos antigos, a importância de certos
pressupostos filosóficos como: o rigor conceitual, a necessidade de
generalização, as dificuldades metodológicas de se atingir a universalidade e a
importância do compromisso com o conhecimento e sua validação no real.
De Platão a Russell – chamado período
clássico da epistemologia – a reflexão especificadamente sobre as ciências eram
feitas por cientistas e matemáticos, quando muito, por algum filósofo “nas
horas de ócio” (BUNGE, 2002). Com efeito, com exceção de L. Boltzmann e E.
Mach, nenhum desses podem ser tomados como epistemólogos especificadamente.
Esta exclusão, um tanto quanto radical, não quer dizer que neste período não
tenha aparecido questões realmente epistemológicas; apenas não havia ainda uma
visão de conjunto desse ramo em específico, já que tais questões ora eram tomadas
como parte da teoria do conhecimento, ora como a própria teoria do
conhecimento.
Entretanto, com o advento das
ciências positivas a partir do final do século XIX, nem sempre, ambas – ciência
e filosofia – puderam construir relações de autenticidade e
autocomprometimento, em especial pelas dificuldades de aplicabilidade por parte
da filosofia e pela crescente especialização e tecnização por parte das
ciências. Este impasse quase dilemático implicou ou no total descrédito das
questões legitimamente filosóficas ou na pretensa ideia de superação da
filosofia pelas ciências naturais.
Frente às necessidades, no limiar do
século XX, de repensar o papel das ciências, e mais especificadamente das
tecnologias – haja vista sua aplicação má sucedida no período das grandes
Guerras a qual colocou em questão a própria existência do homem, bem como de
todo planeta – é que as epistemologias contemporâneas sentem a crescente e
urgente necessidade de maior interdisciplinaridade, tanto internamente quanto externamente.
A supervalorização de alguns modelos e padrões científicos em detrimento de
outros fragmentaram a compreensão do real, objetivando e, com efeito, tornando
o homem seu próprio objeto. Tal compreensão ainda não dispensou a perda de
princípios de ação que conseguisse sustentar uma sobrevivência mínima para
todos.
Hodiernamente, comenta Blanché (1975), as
epistemologias estão cada vez mais enraizadas em si mesmas, prescindindo
rapidamente do contato com a filosofia. Com efeito, segue o autor, isso decorre
do fato de que a crise sofrida pelas ciências em seus fundamentos obrigou-as a
encarar a si mesma e a rever seus alicerces, engendrando o que Frey (apud
BLANCHÉ, 1975) intitulou de progresso circular interno e regional. Isto
significa que a epistemologia contemporânea tende, cada vez mais, à
internalização (partir de si mesma) e à regionalização (se especificar).
Por outro lado, Blanché (1975) acredita que, não
obstante as epistemologias contemporâneas estejam internalizadas e
regionalizadas, a relação com as questões filosóficas não irá se esgotar.
Primeiramente, segue o autor, porque ainda existem epistemologias em nosso
tempo que mantêm contatos estreitos com a filosofia, sugerindo-a ou
confirmando-a. Em segundo lugar, porque, apesar da regionalização das
epistemologias, subsistem questões de ordem geral que escapam a ossada dos
especialistas. Em terceiro, a interdisciplinaridade se impõe como fator
necessário ao conhecimento científico, o que permite um contato, mesmo que
indireto, com a filosofia. E por fim, as paraciências ainda propõem questões
que dividem os cientistas, de modo a ter de reconhecer a importância da
filosofia.
Dentro deste campo de questões que
implicam relações interdisciplinares entre filosofia e ciências em geral – as
quais tocam as crises das ciências e os problemas de fundamentação da própria
filosofia –, emergidas durante minha prática docente na disciplina de Epistemologia da Ciência no Curso de
Filosofia da Universidade Católica Dom Bosco, é que este projeto tem sua
gênese. De modo amplo e como o horizonte que o circunda, o projeto quer levar a
cabo um dos objetivos que esta disciplina (Epistemologia da Ciência) possui:
deter-se sobre as condições de possibilidade da construção de uma noção de
‘cientificidade’, enquanto garantia de verdade para o real. Neste viés, o
projeto toma por pressuposto as críticas feitas por Japiassu (1996) ao processo
de ideologização e mitologização das ciências que crêem em uma ideia de
desenvolvimento identificada com certa noção de objetividade. Em outras
palavras, Japiassu (1996) põe em questão o equívoco do uso mitologizado das
ciências e das tecnologias modernas quando estas, ao teorizar um projeto de
mundo a partir de determinadas estruturas linguísticas, simbólicas e
ideológicas, identificam, como sinônimo de desenvolvimento, uma pretensa e
obscura ideia de objetividade, cujas consequências implicaram em uma
progressiva desumanização, subserviência ao mercado e uma “colonização” do
mundo.
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[1] “O que se evidencia a partir dos
anos 80 é que não só que o Terceiro Mundo não é um bloco homogêneo (algo que
sempre esteve implícito em todas as discussões relevantes sobre o Terceiro
Mundo, desde a aparição do rótulo) como também que o Terceiro Mundo não pode e não
quer se identificar consigo mesmo enquanto bloco homogêneo” (PRYSTHON, 2004, p.02).
[2] “Por um lado, o debate sobre multiculturalismo tem
resvalado desde então para uma oposição extrema entre conservadores e radicais
multiculturalistas, acabando por isolar cada parte nas suas tentativas de
provar a superioridade de sua cultura. Por outro, é reaceso o interesse
cultural no Outro para além da psicologia, antropologia, lingüística e
etnografia. O Outro que emerge no final dos anos 80 nos cursos universitários
europeus e norte-americanos é sobretudo o “Terceiro Mundo” (claro, também a
mulher, os gays e lésbicas, os negros, mas para os propósitos de delimitação do
território pós-colonial é a reemergência da temática terceiromundista— com
outros nomes— que vai
ser importante aqui). E em especial assuntos concernentes às relações entre
“Império” e “Colônias”, ou “ex-colônias”. Daí o termo, pós-colonial” (PRYSTHON,
2004, p.03).
[3] O termo “Pós-colonial” é extremamente problemático e não tem uma
plena aceitação entre os teóricos. Huggan (1997) em seu artigo The Neocolonialism of Postcolonialism: a cautionary note, por exemplo, traça
grandes críticas a este termo, reconhecendo-o apenas como uma nomenclatura sem
grandes diferenças como a de “Terceiro Mundo”.
[4] “Pensamento Decolonial é um movimento de resistência- teórico,
epistêmico, cultural, prático e político -, à lógica da
Modernidade/Colonialidade. É teórico e epistemológico porque ao estudar as
heranças/feridas coloniais da América Latina em diálogo com a teoria do
sistema-mundo-moderno de Wallerstein (CASTRO-GÓMEZ; GROSFOGUEL, 2007, p. 10)
denuncia e questiona a geopolítica do conhecimento e a Colonialidade do Poder
oferecendo às ciências humanas e sociais uma inteligibilidade outra ao Projeto
Moderno, desvelando sua outra face que é a Colonialidade (QUIJANO, 2005, 2010).
É prático e político porque a Rede Modernidade/Colonialidade “no se especializa
sólo en publicar libros dirigidos a expertos, sino que participa también en
vários proyectos académico-políticos [...]” (ALMEIDA; SILVA, 2015, p.43).
[5] Gramsci, no caderno 25 de 1934, utiliza do termo “grupos
subalternos” para identificar setores sociais silenciados e pouco considerados
pelas teorias políticas e pelo próprio marxismo da época. (SEMERARO, 2012,
p.58). Este termo foi apropriado pelo historiador indiano Ranajit Guha em fins
dos anos 70 (GÓES, 2015).
[6] “A partir,
principalmente, da coletânea Selected Subaltern Studies, lançada em
1988, entendemos que se deu uma virada pós-estruturalista2 na obra subalternista, que
acompanhou um movimento mais amplo do pensamento político e das esquerdas em
nível mundial” (GÓES, 2015, p.223).



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