RESENHA: DIVINA COMÉDIA
RESENHA BASEADA NA OBRA INTITULADA:
DIVINA COMÉDIA – DANTE ALEGHIERI
A trilogia inicia-se com o narrador
Dante - protagonista da história e autor do poema. O poema é uma narrativa
alegórica, ou seja, o autor descreve situações que não devem ser interpretadas
apenas pelo seu sentido literal. Portanto, o personagem Dante, o peregrino,
pode também ter representação simbólica.
A
história pode ser uma espécie de sonho (ele fala que foi o sono, um cochilo que
o levou à selva). Estudiosos da obra de Dante dizem que o Dante da história
simboliza qualquer ser humano que, como ele, se encontra perdido naquela selva
escura. Na selva, o protagonista encontra-se perdido, ao deparar-se com uma pantera, um leão e uma loba.
Ao mencionar tais animais, o autor
refere-se, segundo a tradutora Dorothy Sayers, uma
representação simbólica da perdição no pecado, "onde a confusão é tão
grande que a alma não se acha capaz de reencontrar o caminho certo". Uma
vez perdido na selva escura, um homem só poderá escapar se, através do uso da
razão do intelecto, descer de forma que veja o seu pecado não como um obstáculo
externo (as feras), mas como vontade de caos e morte dentro de si (inferno).
A
selva escura significa a ignorância humana e a dificuldade do homem em
voltar-se ao divino.Não se pode
compreender o divino pela razão.E os animais representam justamente as mais
atrozes fraquezas humanas. Passada o encontro com as feras, Dante é salvo por
Virgílio, do latim Virgilus, aquele
que vigia, aludindo também a viagem que ambos iriam realizar.
O
autor, nesse momento, presta homenagens ao poeta Virgílio, colocando como
personagem principal da Divina Comédia um dos mais notáveis poetas romanos, (70 a. C. - 19 a. C.), autor do poema épico Eneida, um
dos clássicos da literatura ocidental.
No
canto II: Dante reencontra Casella, grande amigo florentino conhecido pelos
seus doces cantos. Há três tentativas frustradas de abraçarem-se, todavia, não
obtém êxito em virtude de suas almas incorpóreas. Interessante é que até
Virgílio encanta-se pelo doce canto de Casella, e Catão os adverte ordenando
que cesse a cantoria haja vista o absoluto desperdício de precioso tempo.
Remetendo as negligências humanas em desperdiçar as oportunidades que são lhes
oferecida.
As
almas recém-chegadas tentam encontrar o rumo da salvação. A alma só tem poder
de escolha enquanto viva, portanto, viva se decide pelo céu ou pelo inferno. O
ante-inferno é chamado também de vestíbulo um estado onde a negação da escolha
seja recompensada, uma vez que recusar a escolha é escolher a indecisão. Em
vida nunca quiseram assumir compromissos, tomar decisões firmes ou fazer
qualquer coisa definitiva, por achar que assim perderiam a oportunidade de
fazer alguma outra coisa.
No
Canto III: o terceiro canto é marcado pela tentativa de encontrar um modo para
escalar o monte que conduz ao purgatório. Há vários pontos interessantes que
merecem ser destacados: o primeiro é o fato de Dante olvidar da proteção divina
que Virgílio lhe proporcionava, pois ao menor sinal de luz em que não
visualizou a sombra de seu guia, temeu ser abandonado. Denotando a fragilidade
humana frente aos obstáculos impostos. Corroboração de Pedro quando Jesus o
chama para navegar em alto mar. É a covardia humana:
Outro
aspecto interessante é o fato de Dante encontrar um antigo rei loiro, e de
gentil aspecto. Este rei fora excomungado pela igreja católica e rogava que ao
regresso a vida terrena, Dante avisasse sua querida filha que tornara-se rainha
que ele, o rei, estava no caminho do purgatório e que quitara seus pecados
porque se arrependera... enaltecendo o lindo perdão divino a todos aqueles que
o rogam.
Constância
que me viste aqui, pois pelas orações
dos que estão lá no mundo, muito tempo se ganha aqui. Alude-se ao poder da
oração e da devoção humana para com seu criador.
No
Canto IV há Subida ao segundo terraço - Almas dos que se arrependeram
tardiamente por preguiça. O canto IV é marcado pela súbita de Dante e Virgílio
ao monte da purgação. Na medida em que vão subindo, alivia-se a jornada.
Todavia, há uma alma irônica que parece o irmão da preguiça, mal consegue se
mover, ao visualizar Dante remete que nada adianta prosseguir com a caminhada,
o anjo que guarda a entrada do purgatório, não o deixará entrar porque deixará
para arrepender-se no último tempo, todavia, se corações bondosos orassem, o
tempo poderia ser encurtado.
Prosseguindo
pelo ante-purgatório, defrontam-se os poetas, em sua segunda seção. com as
almas dos que, tendo vivido em pecado, sofreram morte violenta; mas, no
instante final, tocados pelo arrependimento, perdoaram aos que os feriram. E
ouvem, ali, Jacó de Cassero, Bonconte de Montefeltro e Pia de Siena. Virgílio adverte Dante o porque ficará ali
paralisado, aludindo que deixe estas vãs murmurações de lado.
Ao
encontrar ali o anjo do céu, que viera para levar a alma de Bonconte,
arrependido no último instante, o demônio parece não se conformar em que havia
perdido aquela presa, que tinha como certa. Outro
ponto fundamental do canto V é a recomendação de Virgílio para que não parem de
caminhar enquanto as almas indagam Dante.
No Canto VI:um pouco de política: prosseguindo
os poetas pelo ante-purgatório, para trás a turba dos mortos pela violência,
que ali os assediavam. O encontro deste com Virgílio, oferece a Dante, o ensejo
de dirigir tremenda admoestação à Itália anárquica e dividida, e, nela, a
Florença, seu berço. Ao encontrar um
notário cavalheiro, Dante advoga para Itália que estava completamente
desunificada, a mercê de saqueadores inescrupulosos. Era tão crítica a situação
da Itália que além de dividida e abandonada não somente as cidades faziam
guerras umas às outras, mas até dentro de cada cidade os respectivos habitantes
lutavam entre si. Muitos têm a justiça no coração; pensam antes de julgar, mas
a tua gente abre a boca sem pensar.
No
Canto VII: Os que se arrependeram
tarde por causa de preocupações mundanas - O vale dos líderes. Prosseguem os
poetas em sua marcha e, guiados por Sordelo, chegam a um vale ameno, onde
floria belíssimo jardim. Viam-se ali as almas de príncipes e reis, que,
absorvidos pelos prazeres e os cuidados mundanos, só no instante final,
volveram o pensamento a Deus. Sordelo aponta Virgílio e Dante, então, algumas
daquelas sombras ilustres.
No
Canto VIII: o vale dos líderes (preocupados),a serpente - Os anjos. Preparam-se
os poetas para passar a noite na vala florida. Assistem à descida de dois
anjos, que vêm guardar o jardim contra as investidas da serpente. Entre as
sombras presentes, Dante reconhece Nino Visconti; e ouve, de Conrado Malaspina,
o velado Angúrio de seu próximo exílio.
Prosseguindo
no Canto XVII: é o canto do Gérion –
mitologia grega era um “monstro” que habitava a ilha de Ermínia, possuía três
cabeças, seis braços e pernas e tinha o corpo de um guerreiro, com todas as
armaduras e ferramentas de um guerreiro. Possuía um cão com duas cabeças
chamado hortos, irmão de Cérbero o cão de três cabeças. Também tinha um rebanho
de gado vermelho guardado por Órtos.
Gerião
na peça italiana é a personificação da fraude pois uma das três cabeças parecia
ser uma criatura dócil e ignóbil. Na obra dantesca, Gerião aparece como um
monstro alado com o rosto de um homem honesto, as patas de um leão e o corpo de
um wyvern, com um venenoso ferrão na ponta de sua cauda. Ele mora nas
profundeza de um penhasco entre o sétimo e o oitavo círculos do inferno. Para o
medo de Dante, os poetas montam em suas costas para que ele o leva a profundeza
do inferno.
No
Canto XVIII: é o canto dos espíritos dos simoníacos. é o oitavo círculo do
inferno, denominado Malebolge, significando valas malditas, é a morada dos que
pecam por fraude. São 10 valas em degraus decrescentes, interligadas por potes,
in verbis:
Vala 1: Sedutores e rufiões. São açoitados por diabos que os exploram e
controlam (Canto XVIII).
Vala 2: Aduladores. Sofrem submersos em um rio de fezes e esterco (Canto
XVIII).
Vala 3: Simoníacos (traficantes de religião). Enterrados de cabeça para
baixo, com os pés de fora em chamas (Canto XIX).
Vala 4: Adivinhos. Condenados a não olhar para frente, com a cabeça torcida
para trás (Canto XX).
Vala 5: Corruptos (traficantes de justiça). Submersos em um rio de pez
fervente e maltratados por diabos espertos (Canto XXI).
Vala 6: Hipócritas. Vestem capas de chumbo pesadíssimas e são obrigados a
caminhar (Canto XXIII).
Vala 7: Ladrões. Se transformam, sendo consumidos por serpentes e outros
répteis mutantes (Canto XXIV).
Vala 8: Maus conselheiros. Estão presos em uma chama que os envolve
completamente (Canto XXVI).
Vala 9: Criadores de intrigas: São mutilados por um diabo e se mutilam o
tempo todo (Canto XXVIII).
Vala 10: Falsários: Cobertos de sarnas que provocam coceiras, tomados pela
insanidade ou vítimas de doenças degenerativas que os deformam e não lhes
permite o movimento (Canto XXIX).
Percebe-se
que há uma divisão dos castigos segundo os pecados cometidos. Na concepção de
justa medida de Aristóteles, buscou-se a exata medida á infração pecaminosa
cometida em vida. Os Gigantes: Estão dentro do Cócito mas suas cabeças e
troncos são visíveis à distância.
No Canto XX:vala dos impostores que
dedicaram-se à arte divinatória. Eles tem os rostos e pescoços voltados para as
costas, pelo que são obrigados a caminhar ao reverso. Já no Canto XXI:é a vala
dos corruptos. Estão no quinto compartimento e são os trapaceiros que negociaram
os cargos públicos ou roubaram aos seus amos. Eles estão mergulhados em piche
fervendo.
No
purgatório, o início do canto ocorre in
verbis:“eu sou Virgílio; e se não pude um dia ao céu alçar-me foi por não
ter fé e não por culpas graves.O purgatório é a via do paraíso:
No
Canto XXII: são designados 10 demônios para escoltarem os poetas durante a
travessia no inferno. A Hidra inspirou o dragão de sete cabeças e
dez chifres mencionado no Apocalipse de João (Ap. 12:3-4 e 15-6). O dragão foi combatido por São Miguel e dois
anjos. Quando perdura na mulher a chama do amor, quando não alimentada
pela presença do amante. São três as
virtudes teologais: fé, esperança e
caridade; quatro virtudes cardeais: justiça, temperança, fortaleza e prudência.
A Serpente como personificação do demônio que
tenta até as almas destinadas a salvação. Que a vontade divina que te trouxe
até aqui, possa encontrar no teu ânimo aqueles requisitos indispensáveis para
se chegar até a presença de Deus.
No
canto IX:é o primeiro dos três
sonhos que Dante terá nas três noites que passará no purgatório. Ele sonha que
está sendo levado para o alto da montanha por uma águia, que atravessa o fogo.
Dante visualiza-se sonhando com uma águia de penas de ouro sobrevoando na
montanha. Na verdade era Santa Lúcia conduzindo os poetas a porta do
purgatório. Com um portão que era necessário atravessar, jaz um ser angélico.
Havia três degraus com cores diversas: o primeiro era branco mármore e
espelhava o corpo de Dante. Simbolizando o sacramento da penitência.
O segundo degrau era símil a uma rude pedra,
áspera e fendida. O terceiro degrau era vermelho como o sangue, nele havia o
ser angélico cuja face resplandecia como à luz de um diamante. O mestre pedia
humildemente para que o anjo abrisse a porta do purgatório. Sem que Dante
dissesse nada, o anjo desenhou sobre sua testa sete feridas em forma de P e
disse: entrando aqui não deixaste de lavar essas feridas, simbolizando a
remissão dos pecados capitais. Pegando duas chave os advertiu que se uma das
chaves falhasse inútil seria a entrada do purgatório. Abrindo a porta disse-lhe
que se olhassem para trás retornaria ao início do caminho. Os três degraus
simbolizam as três partes da penitência.
O
primeiro degrau, que é branco e no qual se vê o próprio reflexo, representa a
confissão, o ato de reconhecer em si o pecado cometido. O segundo, escuro,
áspero e rachado simboliza o arrependimento pelo ato pecaminoso ou contrição. O
terceiro degrau, vermelho flamejante da cor do sangue de Cristo, representa a
purificação através da absolvição da dívida do pecador
Simbolizando
a necessidade de seguir em frente na remissão dos pecados. Ao entrar um doce
canto foi introduzido.
Canto
X:o purgatório é composto por sete giros, simbolizando os sete pecados
capitais, transportando a porta, os poetas se alçam ao primeiro giro ou terraço
do purgatório. É uma faixa estreita medindo cerca de três vez o centímetro do
corpo humano. Os poetas encontraram os soberbos e orgulhosos. No décimo canto
foi identificado a penitência do pecado do orgulho cuja virtude correspondente
é a humildade.
A
porta pela qual passavam era tão estreita que cabiam três homens juntos,
simbolizando a dificuldade do caminho da redenção. As paredes do penhasco era
de um branco de mármore, cuja paredes jazia esculturas: a chegada do anjo
Gabriel a Maria anunciando a doce paz trazida por Cristo.A segunda escultura
representa a humildade do rei Davi diante do povo, durante o transporte da Arca
do Senhor a Jerusalém. Quando a Arca chegou à cidade, Mical, esposa de Davi, observou
o rei dançando alegremente no meio do povo, e sentiu desprezo por ele.
Disse-lhe "Quão honrado foi o Rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos
das servas de seus servos, como um vadio qualquer que se tira a roupa sem
pudor." (2 Sam 6:20) Davi respondeu "Ainda mais do que isto me
envilecerei, e me humilharei aos meus olhos. Quanto às servas de quem falaste,
delas serei honrado." E Mical não teve filhos até o dia de sua morte.
Os
orgulhosos habitam o primeiro dos sete círculos do purgatório principal. Na
explicação que será dada por Virgílio, mais adiante, o orgulho é o primeiro dos
três pecados capitais que são resultantes do amor pervertido, direcionado
contra o próximo. Sendo o orgulho a raiz de todo pecado, este círculo é o que
mais se distancia de Deus, pois o orgulhoso deseja ter todo o mundo voltado
para si, tentando, assim, ocupar o lugar de Deus.
No
Canto XI:Com os soberbos e os orgulhosos, no primeiro terraço do purgatório, os
poetas ouvem Humberto Aldobrandesco, sem, todavia, poderem identifica-lo em
meio da turba curvada ao peso das imensas pedras. Neste primeiro círculo há uma
adaptação da oração do padre nosso, sendo entoada uma prece pelas almas dos
soberbos, carregados com os imensos fardos, no primeiro terraço do purgatório:
“que a carga eu leve agora é conveniente, até que Deus se dê por satisfeito,
fazendo, morto, o que não fiz, vivente”. O fardo de pedra aos ombros dos
soberbos era, sem dúvida, uma lição de humildade. Humberto praticava essa lição
por não ter feito em vida.
Quão
transitório e vã é a glória humana! Cujo brilho nunca perdura! “pois o rumo
mundano, festejado um sopro é só do vento balouçante, mudando o nome por mudar
o lado”. pois a fama não é mais que um sopro dos ventos volúveis e
inconstantes, que favorecem ora a este ora àquele, segundo batem daqui ou dali.
São
personagens do orgulho: 1- Lúcifer; 2- Briareu mitologia grega cem braços e
cinquenta cabeças símbolo da soberba arquitetada contra o olimpo; 3- Nemrod
gênese, descendente de Nóe que construíra a escada rumo aos céus; 4- Niobe
esposa do rei de Tebas por ser mais de sete filhos e sete filhas desdenhou o
povo que adorava a deusa Latona, por ter somente Júpiter e Apolo como filhos.
5- Saulo (bíblia) que preferiu repetidas vezes seguir a sua própria consciência
em vez das ordens do Senhor. 6- Aracne (aranha) que na mitologia grega
orgulhava-se por seus cozeres;
7-Alcmeon, filho de Anfiarau (veja Inferno,
canto XX), matou a sua mãe Erífile que traiu o seu pai em troca de jóias. A
história é contada na Tebaida de Estácio (veja nota 21.1). Anfiarau, sendo um
vidente, previu que iria morrer em batalha caso fosse à guerra de Tebas. Para
evitar a convocação, ele se escondeu. Indagada por seu irmão, o rei Adrasto,
Erífile revelou o esconderijo do marido aceitando um colar de ouro e diamantes
como suborno. Anfiarau, ao partir, pediu que seu filho Alcmeon matasse a mãe
logo que soubesse de sua morte; 8- Senaqueribe, rei da Assíria Tendo tomado
todas as cidades fortificadas da Judéia.
Senaqueribe
assediou Jerusalém. Certo que seria vitorioso, desafiou Ezequiel, rei da
Judéia, a mostrar o poder de seu Deus. Durante a noite, um anjo matou os 185
mil soldados assírios. Sem exército, o rei deixou o acampamento e voltou a
Nínive. Enquanto orava no templo foi morto por seus dois filhos, inconformados
com a derrota. 9- Ciro, rei da Pérsia. 10- Tróia. 11. Holeferme, capitão do
exército de Nabicodonosos, rei dos assírios, desprezou o conselho de seu
superior confiando em seu poderio de cavalaria. Bem-aventurados são os pobres de espírito.
O
Anjo da Humildade: Na saída de cada cornija há um anjo, que apaga um dos
"P" da testa de Dante, e pronuncia uma benção tirada do Sermão da
Montanha (Mateus 5). Ao sair da cornija do orgulho, Dante ouve
"Bem-aventurados são os pobres em espírito" (Beati pauperesspiritu,
em latim, no original) (Mateus 5:3), que com a asa, sara a ferida na sua testa
e o encaminha ao círculo seguinte.
Interessante:com
a retirada de cada P de pecado, é como se a alma ficasse leva e subisse ou retornasse
a Deus. Já no Canto XIV:é o canto dos invejosos, que colocam seus olho sobre os
bens materiais alheios ou dons alheios. Alusão a raposa como animal astuto que
não se deixa cair em armadilhas.
Canto
XV:felizes os que perdoam. Se o amor de Deus fizesse com que os homens
voltassem para o céu os seus desejos, ficariam eles livres da inveja: pois que
em si viu a dureza do mal da inveja, bem se compreende que ora lhe aponte a
falsa natureza. Quando a humana vontade ansiosa tende às coisas que lhe veda a
posse alheia, a inveja a senhoreia, e, certo, a ofende. Mas se o ínsito amor da
suma ideia para o céu a impelisse, tal vontade livre do mal se vira, que a
salteia. Posto que à medida que mais almas se reúnem no céu, usufruindo os dons
divinos, mais aumenta sua beatitude. A caridade é, assim, fonte de glória e
prazer, ao contrário da inveja, que é de sofrimento.
As
almas transfiguradas pela caridade são como espelho em que Deus reflete a sua
luz.E ali a vista nos tolheu, e mais o ar puro: e o fumo a se propagar por toda
a parte, ali, àquela altura do terceiro terraço (e dentro padeciam os
iracundos), não só lhes tolheu completamente a visão, como perverteu o
ambiente, tornando o ar irrespirável. No
Canto XVI: vós, os viventes, com
simplicidade, julgais estar aos céus tudo imputado, por força de fatal
necessidade. Mas, com isto se vira erradicado o livre-arbítrio, e senso não
faria haver-se o mal punido e o bem premiado.
“Aos
céus os vossos atos inicia: embora não se possa negar o influxo dos céus, ou
dos astros, sobre os homens (no sentido de que nossa própria inclinação e
nossas reações físicas determinam muito de nossos atos), ainda assim a cada um
foi dada a inteligência capaz de discernir entre o bem e o mal –
livre-arbítrio. Por isso, sujeitando-se a vontade divina, os homens encontra-se
livres. E, assim, a causa da corrupção e transvio do mundo só pode estar nos
próprios homens, como resultante de suas ações e de suas vontades.
No
Canto XVII:procede em relação a si mesmo: pois, se aspira a alguma coisa,
procura obtê-la imediatamente, sem aguardar que alguém o mova a fazê-lo. Quem,
vendo e sentindo a necessidade de outrem, fica esperando o pedido de socorro,
para agir, já demonstra com isso sua recusa à ajuda.Nos três primeiros terraços
são punidos os respectivos pecados: os primeiros só admitem a própria glória,
mesmo que isto signifique a ruína do próximo (orgulhosos); depois há os que
preocupam-se com a possibilidade do outro crescer e acumular mais fama e poder
que eles (invejosos); finalmente, existem aqueles que, por injúria sofrida,
explodem em ira, e só pensam em revidar o mal causado (iracundos).
Já
o Canto XVIII:Teoria do amor natural e do
amor do ânimo ou da vontade. Como atributos da alma e fundamento das boas e
das más ações. O espírito ao amor vocacionado: por uma disposição ínsita, que o
criador lhe atribui, o espírito é naturalmente inclinado ao amor, e por isso
tende instintivamente a tudo que lhe desperta prazer. O quarto terraço purgavam
as almas dos negligentes e omissos na prática do bem e da virtude.
Pune-se
os preguiçosos, neste ciclo suas penam são correrem sem parar. A preguiça é a
indiferença. Vai muito além do simples não fazer nada. Seus opostos são o zelo,
a ação, o esforço, a iniciativa e a persistência. A passagem por esta cornija é
rápida pois as almas não têm tempo a perder.
No
Canto XIX:O segundo sonho de Dante - A sereia - Subida à quinta cornija - Os
avarentos - papa Adriano V. o segundo sonho de Dante é com uma mulher –
personificação da tentação que induz o homem ao gozo pecaminoso dos prazeres
materiais – avareza, gula e luxúria, apresentada em forma de sedutora sereia. E
apareceu outra mulher, honesta e santa, rasgando o ventre da sereia e seu
horror cheiro despertou Dante.
Alegoria
que Dante faz que a virtude vence a tentação. A avareza é o pecado da cobiça
pelos bens da terra.
Bens aventurados os puros de coração. Alusão ao
pecado da luxúria. Aqui enfrenta-se a dor, mas não o fim.Ainda
que tu, em meio ao fogo aceso, ficasse por dez séculos, em pranto, de um só
cabelo não seria leso.
Como
Dante era romântico, na última passagem... deveria transpassar um barreira de
fogo. Virgílio tenta encorajá-lo relembrando de todos os obstáculos enfrentados
no inferno. Mas Dante só toma “coragem” de atravessar o fogo, depois de saber
que aquele é o único obstáculo que o separa de Beatriz. O paraíso fica
localizado em cima das montanhas. Dante tem o terceiro sonho: “em sonho uma mulher
me aparecia, indo no campo, flores a colher; e cantava, e seu canto assim
dizia: A quantos me desejam conhecer digo que sou a Lia, e para mim são as
grinaldas que me vês tecer. Por amar a beleza eu me orno assim.
Dispões
de livre e íntegra vontade, e só com ela deves prosseguir. No paraíso (último
volume da triologia de Dante). Ocorre o regozijo da alma humana.
É
importante mencionar que o paraíso – último livro da Divina Comédia de Dante – detém
conhecimentos astronômicos, isto é, considera o estudo e a compreensão dos
movimentos dos astros. Foi utilizado o sistema solar de Ptolomeu como
embasamento científico do aludido livro. Logo, no Canto II: o poeta chega à
lua, quer dizer, ao primeiro céu, que é dentre as noves esferas concêntricas do
sistema de Ptolomeu, a mais próxima da terra e mais distante do Empíreo.
O
tema que agora proponho é como um mar desconhecido, que ninguém se atreveu
antes a percorrer. Dante pede ajuda a
Minerva e Apolo, deus da sabedoria e da poesia, para que demonstram o rumo a
seguir. Um pouco de astrologia: constelações ajudam-nos a localizar
determinados eventos ou objetos celestes no céu. São grupos de estrelas que
vistas das terras parecem estar próxima uma das outras e que formam uma
determinada figura no céu. Almagesto –
astronomia.
“Inata
sede” – a sede, não ocasionalmente despertada, mas ínsita na alma, como um de
seus atributos, de se elevar ao seu criador. De acordo com o sistema
ptolomaico, há nove céus. A lua é o primeiro e o mais próximo da terra. Ali, encontravam-se as almas dos que não
puderam manter inteiramente o voto religioso.
Se é certo que erra o juízo dos humanos,
condicionado pelos sentidos vãos a que se aferra. Princípio astrológico de
estrelas exercem influência sobre a terra. Sob o empíreo, o nono céu, sede
imóvel da divindade, primo mobile, que é fundamento, o princípio motor de todas
as coisas que se contêm no seu âmbito. NoCANTO III:ao divisar, ali, no primeiro
céu, ou céu lunar, algo semelhante a figuras vagas e imprecisas.
Somos
todos deuses e heróis de nossas próprias histórias. Mitologia de Narciso:
embora muito belo, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém
que julgasse merecer seu amor. Ao beber água de uma fonte límpida de águas
cristalinas, ao inclinar-se, narciso viu sua própria imagem refletida e
encantou-se com sua visão. Fascinado, Narciso ficou a contemplar o lindo rosto,
com aqueles belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem
saber que era a sua própria imagem refletida.
Olha que interessante: nossa caridade nos
impõe a satisfazer a todo e legítimo desejo, pois é idêntica à própria caridade
divina, que quer que todos os bem-aventurados participem e desfrutem igualmente
de seus dons. A estrutura do paraíso de
dantesco refere-se ao sistema ptolomaico dos noves céus concêntricos, girando
uniformente à roda da terra (o centro).
A essência da caridade é justamente ser ela emanada da vontade divina.
Cada
céu recebe a quantidade de luz divina adequada à sua capacidade de recebê-la
(justa medida). Da mesma forma, cada
alma individual recebe a graça divina de acordo com sua capacidade individual e
assim, todas as almas do paraíso estão satisfeitas, independentemente de onde
estiverem.
É
engraçado que não confias no que vês diante dos teus próprios olhos, e te viras
para procurar no nada.
Olha
que interessante: nossa vontade é satisfeita pela virtude do amor, que nos faz
querer nada somente o que já temos. Exprime
felicidade pelo aquilo que tem. Ideia de justiça.
Canto
IV: em ti observo, o rigor da dúvida sem fim que
tortura-te. E não consegues nem sequer expor. Na verdade Dante não compreendia
porque a invencível opressão exercida de fora sobre a vontade genuína
pudesse-lhes apoucar o merecimento aos olhos de Deus. Beatriz remete a Platão
para explicar o sucedido. A intelecção
ocorre em nós pela ação do pensamento científico e da opinião alheia somos
persuadidos. A intelecção vem acompanhada de uma demonstração verossímil.
A
doutrina platônica da volta das almas às estrelas parecia desmentida pelo que
se observava no primeiro céu. Os espíritos ali vistos eram dos que haviam
rompido o voto religioso e não dos que tiveram o seu nascimento influído por
determinada estrela. Sendo capaz o
humano entendimento de apreender a verdade nisto infusa, logo a terás, por teu
contentamento. Quanta sabedoria nas
palavras de Beatriz! Se força existe que prive a vontade... Mas nem só por isso
se escusa a vontade, porque, ao desaparecer a opressão, ela poderia exercer-se
novamente em toda a sua plenitude.
Quem
aceita a opressão nela consente. Ao pé
da verdade, a dúvida desponta constantemente. A dúvida suscita o estudo e a crítica, e,
pois, através dela, chega-se à verdade. No Canto V:ainda no primeiro céu, ou céu da
lua. Beatriz responde a pergunta de Dante ( se poderia haver compensação do
voto com obras meritórias). Beatriz explica-lhe a natureza do voto religioso e
discorre sobre o problema de sua comutação ou compensação.
O
dom maior de Deus, o que mais reflete-lhe a faculdade, e o que de seu amor mais
está perto, foi do querer a inata
liberdade, à criatura outorgada inteligente e a ela tão só
exclusividade. Podes disso aferir
seguramente do voto o alto valor, quando de fato Deus, como quem o faz, nele
consente. E quem, ante o Senhor, firma
tal pacto, renuncia com isto à volição por espontâneo e irretratável ato. Como
lhe oferecer compensação?
A
liberdade do querer é estimada como o mais alto dos dons outorgados por Deus,
na obra da criação; e foi reservado, tão somente às criaturas racionais, os
homens. A circunstância de poder o homem
autodeterminar-se já revela o valor do voto religioso, quando assumido
livremente e constituído sobre matéria que possa merecer aprovação divina. O
engajamento no voto implica em eventual renúncia à própria vontade, não podendo
mais exercê-laseu arbítrio naquilo que constitua matéria do compromisso ou a
ela esteja ligada.
Duas
são as coisas que distinguem na essência do voto: a) seu objeto – o dom a ele
inerente, o livre arbítrionele
manifestado; b) a plena anuência dada por Deus, quando assente na promessa que
lhe foi feita. Entrada no segundo céu – mercúrio – onde divisaram as almas dos
que, em vida, foram ativos e diligentes na prática das virtudes, embora o
tivessem feito com o intuito de conquistar a glória e a fama.
No
Canto VI:no segundo céu, ou céu do mercúrio, a alma do imperador Justiniano
fala a Dante, que ali encontra-se os espíritos dos que, na terra, praticaram o
bem, mas visando à conquista da própria fama. As almas nesta estrela,
encontra-se numerosas, dos que em vida foram diligentes e virtuosos, mas
visaram o próprio proveito e glória pessoal.Canto VII:Beatriz fala a Dante o
procedimento da justiça divina para a redenção dos homens, falando-lhe da
imortalidade da alma e da ressurreição final.
Não
compreendes, decerto, ao meu aviso. A vingança tomada por Deus, com o sacrifício
de Cristo, do pecado de Adão e de Eva, sendo necessariamente um ato santo e
misericordioso, pudesse, por sua vez, ser vingada
ou punida pelos homens, como o fizera
o Imperador Tito, destruindo Jerusalém. O pai que não nasceu, foi Adão, criado
direta e inicialmente por Deus; e porque não quis submeter sua vontade a
vontade divina, viu-se expulso do paraíso, legando à sua descendência a mancha
do pecado original. O santo verbo, Cristo, que se fez homem para remir a
humanidade, repondo-a na senda da salvação.
Mas
sua mente sinto tolhida, de degrau em degrau, numa ilusão que mais que tudo
queres ver solvida. No Canto VIII:Dante e Beatriz ascendem ao terceiro céu, o
céu de Vênus, onde avistam as almas dos que, sensíveis ao amor físico, lograram
obter, contudo, a salvação. Revela-se ao poeta o espírito de seu contemporâneo
e amigo Carlos Martel, que lhe fala sobre a não hereditariedade do caráter das
pessoas e sobre eventual desrespeito pelos homens, de suas naturais
inclinações. No paganismo, oferecia
verdadeiro culto a Vênus a Deusa do amor carnal e efêmero, estendendo tal
referência a sua mãe, Dione, e a seu filho cupido. Ao amor foi atribuída a força poderosa que
faz com que os humanos sintam-se atraídos. Notando Vênus que Eros (Cupido) não
crescia e permanecia sempre menino, perguntou o motivo a Têmis. A resposta foi
que o menino cresceria quando tivesse um companheiro que o amasse. Vênus deu-lhe,
então, por amigo Anteros (o amor partilhado). Quando estão juntos, Cupido
cresce, mas volta a ser menino quando Anteros o deixa. É uma alegoria cujo sentido é que o amor necessita ser correspondido
para desenvolver-se.
Os
serafins são os anjos da mais alta hierarquia, sediados no empíreo, ou primo
mobile (nono e último céu). Canto X: o céu do SOL, o poeta divisa as almas dos
teólogos, envoltos em luz mais viva que a da própria estrela. Encontra Tomás de
Aquino. Deus, o pai, volvido ao filho, através do espírito santo, criou com tal
perfeição as coisas visíveis e invisíveis, são as três pessoas da santíssima
trindade.
Rende
graças a Deus onipotente, que ao esplendor deste lugar te ergueu bondosamente.
Jamais um coração com tal ardor de devoção e de agradecimento pulsou, por se
render ao seu Criador. Um belo exemplo de uma viúva cuja extrema pobreza não
lhe impediu de oferecer tudo o que possuía: duas moedas, ao serviço do divino. Os
serafins são na ordem angélica, os seres da caridade e do amor. Os querubins
simbolizavam a luz da sabedoria.
Deste
modo, termina-se a análise literária da obra de Dante Alighieri. O autor
florentino buscou traçar a trajetória humana em ascensão ao divino. Buscando o
encontro com Deus e todos os obstáculos neste caminho foram vencidos.
Demonstrando a força que a vontade humana detém quando almeja encontrar o
divino.
REFERÊNCIAS:
ALIGHIERI,
Dante. A Divina Comédia.
ALIGHIERI,
Dante. Resenha Disponível em: <http://www.stelle.com.br/pt/inferno/canto_28.html> Acessado em:
JUL/2016.
Fonte: Imagem
retirada do google. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?biw=1242&bih=535&tbm=isch&sa=1&q=para%C3%ADso+dante+aleghieri&oq=para%C3%ADso+dante+aleghieri&gs_l=img.3...2396.6665.0.6882.0.0.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1.1.64.img..0.0.0.lPbmyH1b9jw#imgrc=V8vaHbDuF3grQM:>.
Acessado em: 23/05/2017 00:02:00
MARO, PubliusVirgilus. Biografia. Disponível em:<https://www.ebiografia.com/virgilio/>. Acessado em: 23/05/2017 23:21:02
MUNDO DOS
FILÓSOFOS. Disponível em:<http://www.mundodosfilosofos.com.br/cupido.htm#ixzz4WzhckuHf>.
Acessado em NOV/2016
[1]*Graduada em Direito pela
Universidade Católica Dom Bosco. Advogada atuante na área cível e pesquisadora do Grupo de Estudo Filosofia do Desenvolvimento da UCDB
E-mail:taveiravaleria@gmail.com





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